Somos filhos da madrugada
Pelas praias do mar nós vamos
À procura de quem nos traga
Verde oliva de flor no ramo
Navegamos de vaga em vaga
Não soubemos de dor nem mágoa
Pelas praias do mar nós vamos
À procura da manhã clara
Lá do cimo duma montanha
Acendemos uma fogueira
Para não se apagar a chama
Que dá vida na noite inteira
Mensageira pomba chamada
Companheira da madrugada
Quando a noite vier que venha
Lá do cimo duma montanha
Onde o vento cortou amarras
Largaremos pela noite fora
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória já não espera
Fresca brisa, moira encantada
Vira a proa da minha barca
José Afonso
sábado, abril 12, 2008
domingo, março 30, 2008
Cruz Alta
Ficou a promessa,
Onde o Céu se une com a Terra,
Tão perto da Lua que regressa
Aos encantos do palácio e da serra.
Ficou a promessa,
Lá no cume, onde Deus pousou,
Tão perto do Sol que regressa
Aos braços de quem ressuscitou.
E só a morte, por ser forte,
Matará o sonho
Preso naquele lugar.
E só a morte, por ser forte,
Matará quem
Viu ali o teu olhar...
João Garcia Barreto
Onde o Céu se une com a Terra,
Tão perto da Lua que regressa
Aos encantos do palácio e da serra.
Ficou a promessa,
Lá no cume, onde Deus pousou,
Tão perto do Sol que regressa
Aos braços de quem ressuscitou.
E só a morte, por ser forte,
Matará o sonho
Preso naquele lugar.
E só a morte, por ser forte,
Matará quem
Viu ali o teu olhar...
João Garcia Barreto
sábado, março 08, 2008
Manhã
Manhã, que em ti encerra
Este mar que não se altera,
Este vento na galera
Que teima em ti pousar.
Madrugada, de repente
Sou pássaro sou gente,
Tão distante e nunca ausente
E teimo em ti pousar.
Mulher, minha alvorada
Tu és o vento que tarda,
Por ti pouso o cansaço
Na verdade de um poema
Na mentira de um abraço,
Teu leito é o meu regaço
Eu quero assim ficar.
Barco que torna ao porto
No teu corpo eu me aporto,
Aí fico e me recordo
E teimo em ti pousar.
Neblina, despertada
Tão leve quanto a espada,
Que se bate por tudo e nada
E teima em ti pousar.
Mulher, minha alvorada
Tu és o vento que tarda,
Por ti pouso o cansaço
Na verdade de um poema
Na mentira de um abraço,
Teu leito é o meu regaço
Eu quero assim ficar.
Na verdade de um poema
Na mentira de um abraço,
Meu leito é o teu regaço
Eu quero assim ficar.
Pedro Abrunhosa
Fotografia de Vanessa Pelerigo
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
Da Condição Humana
Todos sofremos.
O mesmo ferro oculto
Nos rasga e nos estilhaça a carne exposta.
O mesmo sal nos queima os olhos vivos.
Em todos dorme
A humanidade que nos foi imposta.
Onde nos encontramos, divergimos.
É por sermos iguais que nos esquecemos
Que foi do mesmo sangue
Que foi do mesmo ventre que surgimos.
José Carlos Ary dos Santos
O mesmo ferro oculto
Nos rasga e nos estilhaça a carne exposta.
O mesmo sal nos queima os olhos vivos.
Em todos dorme
A humanidade que nos foi imposta.
Onde nos encontramos, divergimos.
É por sermos iguais que nos esquecemos
Que foi do mesmo sangue
Que foi do mesmo ventre que surgimos.
José Carlos Ary dos Santos
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
Foz Do Teu Olhar
Perdi-me no silêncio que se estendia
Na serra que cobre o Douro,
Quando a tarde se fez no Sol que se abria
E matizava o chão de ouro.
Perdias-te na saudade que se avizinhava
Ou na aventura que vivias
E, a cada palavra da canção que ocultava,
Simplesmente, sorrias...

E, no ledo passeio,
O beijo foi o ensejo que o tempo escondia...
E, no Molhe deserto,
Abracei-te quando o âmago dizia:
Escondo o Porto na voz,
Quando abraço o mar...
Eis o Mundo que desemboca na Foz do teu olhar.
Texto e Fotografias de: João Garcia Barreto
terça-feira, janeiro 08, 2008
Eufemismo da Memória
Os desusados idealistas partidários são, actualmente, condenados pelos seus próprios partidos, sendo obrigados a dissertar as suas opiniões políticas nos media. Os partidos já não possuem ideais e reflectem, hoje, a demagogia com mais vigor. O dinheiro é, indubitavelmente, o fruto mais apetecido pelos políticos que governam um país iníquo, cuja maioria dos seus habitantes pátrios se encontram entorpecidos e imersos num absentismo de ideais e de sonhos.
O Exmo. Sr. Primeiro-Ministro não é, definitivamente, o Robin dos Bosques e, segundo a comunicação social, não é, também, engenheiro.
A Exma. Sra. Ministra da Educação pretende que sejam os professores a limpar as salas de aulas e as instalações sanitárias das escolas públicas do ensino básico, promovendo o desemprego das tarefeiras.
Os tribunais hibernam. No entanto, continua, por parte dos magistrados, a pesquisa incessante de salas para armazenar mais um número significativo de processos sem julgamento, dado à escassez das mesmas, ignorando o pó sobre os dossiers dos esquecidos casos judiciais. Decerto que a Exma. Sra. Ministra da Educação apresentará a solução para este problema do Ministério da Justiça, podendo até solicitar aos professores a limpeza do pó sobre os referidos dossiers, já que os indivíduos visados terão funções acrescidas.
Contudo, isto é só o eufemismo da memória. Resta-me parafrasear a parábola cómica: " e o contribuinte paga isso?! E o burro sou eu?! E o ruim sou eu?!
Muda-se o Governo e... a sociedade é aquilo que se vê...
Sei que desdenho o que é inútil
E a sabedoria de um lacrau fútil,
Que esbanja demagogia
Nos dias de romaria...
Sei que desdenho o lugar,
Onde se perde tempo a escutar
As verborreias tão exíguas
Ditas por mentes não ambíguas...
Sei que desdenho o consumismo
Que corrobora o materialismo
E toda a instância do Poder
Que transfigura o ser...
Isto é só o materialismo da história,
O eufemismo da memória...
Ai, Portugal,
Por onde me levas...
João Garcia Barreto
O Exmo. Sr. Primeiro-Ministro não é, definitivamente, o Robin dos Bosques e, segundo a comunicação social, não é, também, engenheiro.
A Exma. Sra. Ministra da Educação pretende que sejam os professores a limpar as salas de aulas e as instalações sanitárias das escolas públicas do ensino básico, promovendo o desemprego das tarefeiras.
Os tribunais hibernam. No entanto, continua, por parte dos magistrados, a pesquisa incessante de salas para armazenar mais um número significativo de processos sem julgamento, dado à escassez das mesmas, ignorando o pó sobre os dossiers dos esquecidos casos judiciais. Decerto que a Exma. Sra. Ministra da Educação apresentará a solução para este problema do Ministério da Justiça, podendo até solicitar aos professores a limpeza do pó sobre os referidos dossiers, já que os indivíduos visados terão funções acrescidas.
Contudo, isto é só o eufemismo da memória. Resta-me parafrasear a parábola cómica: " e o contribuinte paga isso?! E o burro sou eu?! E o ruim sou eu?!
Muda-se o Governo e... a sociedade é aquilo que se vê...
Sei que desdenho o que é inútil
E a sabedoria de um lacrau fútil,
Que esbanja demagogia
Nos dias de romaria...
Sei que desdenho o lugar,
Onde se perde tempo a escutar
As verborreias tão exíguas
Ditas por mentes não ambíguas...
Sei que desdenho o consumismo
Que corrobora o materialismo
E toda a instância do Poder
Que transfigura o ser...
Isto é só o materialismo da história,
O eufemismo da memória...
Ai, Portugal,
Por onde me levas...
João Garcia Barreto
domingo, dezembro 23, 2007
Pêndulo III
O pêndulo não possui o hábito de andar à velocidade de um caracol. Qualquer dia, é multado por excesso de velocidade. Hoje, é só mais um dia que o pêndulo circula ao seu ritmo banal...
Tento compreender os breves instantes legados pelo pêndulo em cada segundo que passa e percebo que subsiste, endogenamente, um tempo que perdura em cada canção que escrevo no tempo que vivo agora até ao tempo que se demora.
Porém, nasci num breve instante e, à medida que o tempo evanesce, sei que a vida não é mais do que um momento, cuja duração é efémera e, paradoxalmente, perene por ser parte de alguém...
A quem faz parte de mim...
Tento compreender os breves instantes legados pelo pêndulo em cada segundo que passa e percebo que subsiste, endogenamente, um tempo que perdura em cada canção que escrevo no tempo que vivo agora até ao tempo que se demora.
Porém, nasci num breve instante e, à medida que o tempo evanesce, sei que a vida não é mais do que um momento, cuja duração é efémera e, paradoxalmente, perene por ser parte de alguém...
A quem faz parte de mim...
sábado, dezembro 01, 2007
A Vida - A Arte Perene
A Vida é a arte que se espelha
No nosso planeta em movimento;
É a voz que se esmera
Nas teias de um amor sedento.
A Vida é o apelo escrito no mural
Pelo povo oculto na ausência de expressão;
É o manifesto do vulgo que craveja
Nas ruas em que se desenrola a revolução.
A Vida é a resistência de quem padece
Debaixo da intempérie da guerra,
De quem se imuniza no sonho indelével
Mesmo quando o dia encerra.
João Garcia Barreto
No nosso planeta em movimento;
É a voz que se esmera
Nas teias de um amor sedento.
A Vida é o apelo escrito no mural
Pelo povo oculto na ausência de expressão;
É o manifesto do vulgo que craveja
Nas ruas em que se desenrola a revolução.
A Vida é a resistência de quem padece
Debaixo da intempérie da guerra,
De quem se imuniza no sonho indelével
Mesmo quando o dia encerra.
João Garcia Barreto
sábado, novembro 17, 2007
Fada do Tempo
Desvendei-te na friagem da noite, quando as asas se quebraram de tanto sobrevoar as lacunas veladas no Mundo. Amainaste os vendavais que pareciam infindáveis e aconchegaste-me no regaço, onde ainda teimo em repousar. Transfiguraste-me… Inverteste a dolência de um anjo enfadonho, emancipando-o com o alento que transborda de ti…
Talvez sejas dona do tempo e saibas inverter sortilégios… De que terno sonho vieste? De que eterno conto surgiste?
Insurgiste-te nos nefastos pesadelos, que me corroíam inexoravelmente, cobrindo-me com um invólucro feérico. Cristalizaste o tempo no meu âmago estrógeno e ofereceste-me hipérboles, metonímias e metáforas sem fim. Com as tuas asas, sou dono do céu… De que noite irrompi? De que sonho renasci? Talvez de ti, Fada do Tempo…
Obrigado, Mãe…
Talvez sejas dona do tempo e saibas inverter sortilégios… De que terno sonho vieste? De que eterno conto surgiste?
Insurgiste-te nos nefastos pesadelos, que me corroíam inexoravelmente, cobrindo-me com um invólucro feérico. Cristalizaste o tempo no meu âmago estrógeno e ofereceste-me hipérboles, metonímias e metáforas sem fim. Com as tuas asas, sou dono do céu… De que noite irrompi? De que sonho renasci? Talvez de ti, Fada do Tempo…
Obrigado, Mãe…
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