Entoas, no silêncio, um poema sem cessar
E persigo as palavras que soltas na calçada.
Desvendo, em cada sílaba, um segredo por revelar
E um beijo que lateja na boca coutada.
Sim, eras tu que, sem saber, me beijavas
E entregavas, ao vento, o tempo que sonhavas.
Sussurras, no silêncio, uma sóbria semibreve
E persigo o compasso que serena a madrugada.
Desvendo, em cada passo, um abraço puro e breve
E um beijo velado na mão vedada.
Sim, eras tu que, sem saber, me beijavas
E entregavas, ao vento, o tempo que sonhavas.
João Garcia Barreto
A canção pode ser escutada aqui.
domingo, maio 04, 2008
sexta-feira, abril 25, 2008
Viva a Liberdade
A primeira senha:
E Depois do Adeus
Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.
Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder
Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci
E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei...
E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós
José Niza
A segunda senha:
Grândola Vila Morena
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade
Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada esquina, um amigo
Em cada rosto, igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto, igualdade
O povo é quem mais ordena
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola, a tua vontade
Grândola, a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
José Afonso
Outros poemas, outras canções de Abril:
Trova do Vento Que Passa
Pergunto ao vento que passa
Notícias do meu país
E o vento cala a desgraça
O vento nada me diz
O vento nada me diz
Pergunto aos rios
Que levam tanto sonho à flor das águas
E os rios não me sossegam
Levam sonhos deixam mágoas.
Levam sonhos deixam mágoas
Ai, rios do meu país
Minha pátria à flor das águas
Para onde vais? Ninguém diz.
Se o verde trevo desfolhas
Pede notícias e diz
Ao trevo de quatro folhas
Que morro por meu país.
Pergunto à gente que passa
Por que vai de olhos no chão.
Silêncio, é tudo o que tem
Quem vive na servidão.
Vi florir os verdes ramos direitos
E ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.
E o vento não me diz nada
Ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
Nos braços em cruz do povo.
Vi minha pátria na margem
Dos rios que vão pró mar
Como quem ama a viagem
Mas tem sempre de ficar.
Vi navios a partir
(Minha pátria à flor das águas)
Vi minha pátria florir
(Verdes folhas verdes mágoas).
Manuel Alegre
A Cantiga É Uma Arma
A cantiga é uma arma
E eu não sabia
Tudo depende da bala
E da pontaria
Tudo depende da raiva
E da alegria
A cantiga é uma arma
De pontaria.
Há quem cante por interesse
Há quem cante por cantar
E há quem faça profissão
De combater a cantar
E há quem cante de pantufas
Para não perder o lugar.
A cantiga é uma arma
E eu não sabia
Tudo depende da bala
E da pontaria
Tudo depende da raiva
E da alegria
A cantiga é uma arma
De pontaria.
O faduncho choradinho
De tavernas e salões
Semeia só desalento
Misticismo e ilusões
Canto mole em letra dura
Nunca fez revoluções
A cantiga é uma arma
Contra quem?
Contra a burguesia
Tudo depende da bala
E da pontaria
Tudo depende da raiva
E da alegria
A cantiga é uma arma
De pontaria
Se tu cantas a reboque
Não vale a pena cantar
Se vais à frente demais
Bem te podes engasgar
A cantiga só é arma
Quando a luta acompanhar.
A cantiga é uma arma
Contra quem?
Contra a burguesia
Tudo depende da bala
E da pontaria
Tudo depende da raiva
E da alegria
A cantiga é uma arma
De pontaria
Uma arma eficiente
Fabricada com cuidado
Deve ter um mecanismo
Bem perfeito e aliado
E o canto de uma arma
Deve ser bem fabricado
José Mário Branco
Viva a Liberdade...
Obrigado a todos aqueles que lutaram pela liberdade de expressão, de agir, de lutar e de sonhar...
Aos neófitos da minha tenra idade, deixo o seguinte alvitre: Atenção! Cuidado com o abuso da Liberdade. Não destruam o que a geração de Abril conquistou por nós...
E Depois do Adeus
Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.
Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder
Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci
E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei...
E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós
José Niza
A segunda senha:
Grândola Vila Morena
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade
Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada esquina, um amigo
Em cada rosto, igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto, igualdade
O povo é quem mais ordena
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola, a tua vontade
Grândola, a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
José Afonso
Outros poemas, outras canções de Abril:
Trova do Vento Que Passa
Pergunto ao vento que passa
Notícias do meu país
E o vento cala a desgraça
O vento nada me diz
O vento nada me diz
Pergunto aos rios
Que levam tanto sonho à flor das águas
E os rios não me sossegam
Levam sonhos deixam mágoas.
Levam sonhos deixam mágoas
Ai, rios do meu país
Minha pátria à flor das águas
Para onde vais? Ninguém diz.
Se o verde trevo desfolhas
Pede notícias e diz
Ao trevo de quatro folhas
Que morro por meu país.
Pergunto à gente que passa
Por que vai de olhos no chão.
Silêncio, é tudo o que tem
Quem vive na servidão.
Vi florir os verdes ramos direitos
E ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.
E o vento não me diz nada
Ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
Nos braços em cruz do povo.
Vi minha pátria na margem
Dos rios que vão pró mar
Como quem ama a viagem
Mas tem sempre de ficar.
Vi navios a partir
(Minha pátria à flor das águas)
Vi minha pátria florir
(Verdes folhas verdes mágoas).
Manuel Alegre
A Cantiga É Uma Arma
A cantiga é uma arma
E eu não sabia
Tudo depende da bala
E da pontaria
Tudo depende da raiva
E da alegria
A cantiga é uma arma
De pontaria.
Há quem cante por interesse
Há quem cante por cantar
E há quem faça profissão
De combater a cantar
E há quem cante de pantufas
Para não perder o lugar.
A cantiga é uma arma
E eu não sabia
Tudo depende da bala
E da pontaria
Tudo depende da raiva
E da alegria
A cantiga é uma arma
De pontaria.
O faduncho choradinho
De tavernas e salões
Semeia só desalento
Misticismo e ilusões
Canto mole em letra dura
Nunca fez revoluções
A cantiga é uma arma
Contra quem?
Contra a burguesia
Tudo depende da bala
E da pontaria
Tudo depende da raiva
E da alegria
A cantiga é uma arma
De pontaria
Se tu cantas a reboque
Não vale a pena cantar
Se vais à frente demais
Bem te podes engasgar
A cantiga só é arma
Quando a luta acompanhar.
A cantiga é uma arma
Contra quem?
Contra a burguesia
Tudo depende da bala
E da pontaria
Tudo depende da raiva
E da alegria
A cantiga é uma arma
De pontaria
Uma arma eficiente
Fabricada com cuidado
Deve ter um mecanismo
Bem perfeito e aliado
E o canto de uma arma
Deve ser bem fabricado
José Mário Branco
Viva a Liberdade...
Obrigado a todos aqueles que lutaram pela liberdade de expressão, de agir, de lutar e de sonhar...
Aos neófitos da minha tenra idade, deixo o seguinte alvitre: Atenção! Cuidado com o abuso da Liberdade. Não destruam o que a geração de Abril conquistou por nós...
sexta-feira, abril 18, 2008
No Voo de Um Anjo
Da janela do quarto,
A tua fobia suspirava...
Esperavas pelo anjo,
Que tardava.
E, dos jardins de Éden,
Irrompe num voo inaudito,
O anjo que aguardavas
No teu lugar interdito.
E, no silêncio do quarto,
Só o teu esgar não negou
A Eternidade de um beijo
De quem ao momento se entregou.
E, com o desvelo de um abraço
De um anjo eterno que voou,
Imunizaste no leito
O amor que, no quarto, deixou.
No voo de um anjo,
Onde flutuavas,
Desarvorou a dolência
Que tanto exorcizavas.
E, no parapeito do postigo,
Lá se despediu
O teu anjo perene
Que só o teu olhar viu.
João Garcia Barreto
A canção pode ser escutada aqui
A tua fobia suspirava...
Esperavas pelo anjo,
Que tardava.
E, dos jardins de Éden,
Irrompe num voo inaudito,
O anjo que aguardavas
No teu lugar interdito.
E, no silêncio do quarto,
Só o teu esgar não negou
A Eternidade de um beijo
De quem ao momento se entregou.
E, com o desvelo de um abraço
De um anjo eterno que voou,
Imunizaste no leito
O amor que, no quarto, deixou.
No voo de um anjo,
Onde flutuavas,
Desarvorou a dolência
Que tanto exorcizavas.
E, no parapeito do postigo,
Lá se despediu
O teu anjo perene
Que só o teu olhar viu.
João Garcia Barreto
A canção pode ser escutada aqui
sábado, abril 12, 2008
Canto Moço
Somos filhos da madrugada
Pelas praias do mar nós vamos
À procura de quem nos traga
Verde oliva de flor no ramo
Navegamos de vaga em vaga
Não soubemos de dor nem mágoa
Pelas praias do mar nós vamos
À procura da manhã clara
Lá do cimo duma montanha
Acendemos uma fogueira
Para não se apagar a chama
Que dá vida na noite inteira
Mensageira pomba chamada
Companheira da madrugada
Quando a noite vier que venha
Lá do cimo duma montanha
Onde o vento cortou amarras
Largaremos pela noite fora
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória já não espera
Fresca brisa, moira encantada
Vira a proa da minha barca
José Afonso
Pelas praias do mar nós vamos
À procura de quem nos traga
Verde oliva de flor no ramo
Navegamos de vaga em vaga
Não soubemos de dor nem mágoa
Pelas praias do mar nós vamos
À procura da manhã clara
Lá do cimo duma montanha
Acendemos uma fogueira
Para não se apagar a chama
Que dá vida na noite inteira
Mensageira pomba chamada
Companheira da madrugada
Quando a noite vier que venha
Lá do cimo duma montanha
Onde o vento cortou amarras
Largaremos pela noite fora
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória já não espera
Fresca brisa, moira encantada
Vira a proa da minha barca
José Afonso
domingo, março 30, 2008
Cruz Alta
Ficou a promessa,
Onde o Céu se une com a Terra,
Tão perto da Lua que regressa
Aos encantos do palácio e da serra.
Ficou a promessa,
Lá no cume, onde Deus pousou,
Tão perto do Sol que regressa
Aos braços de quem ressuscitou.
E só a morte, por ser forte,
Matará o sonho
Preso naquele lugar.
E só a morte, por ser forte,
Matará quem
Viu ali o teu olhar...
João Garcia Barreto
Onde o Céu se une com a Terra,
Tão perto da Lua que regressa
Aos encantos do palácio e da serra.
Ficou a promessa,
Lá no cume, onde Deus pousou,
Tão perto do Sol que regressa
Aos braços de quem ressuscitou.
E só a morte, por ser forte,
Matará o sonho
Preso naquele lugar.
E só a morte, por ser forte,
Matará quem
Viu ali o teu olhar...
João Garcia Barreto
sábado, março 08, 2008
Manhã
Manhã, que em ti encerra
Este mar que não se altera,
Este vento na galera
Que teima em ti pousar.
Madrugada, de repente
Sou pássaro sou gente,
Tão distante e nunca ausente
E teimo em ti pousar.
Mulher, minha alvorada
Tu és o vento que tarda,
Por ti pouso o cansaço
Na verdade de um poema
Na mentira de um abraço,
Teu leito é o meu regaço
Eu quero assim ficar.
Barco que torna ao porto
No teu corpo eu me aporto,
Aí fico e me recordo
E teimo em ti pousar.
Neblina, despertada
Tão leve quanto a espada,
Que se bate por tudo e nada
E teima em ti pousar.
Mulher, minha alvorada
Tu és o vento que tarda,
Por ti pouso o cansaço
Na verdade de um poema
Na mentira de um abraço,
Teu leito é o meu regaço
Eu quero assim ficar.
Na verdade de um poema
Na mentira de um abraço,
Meu leito é o teu regaço
Eu quero assim ficar.
Pedro Abrunhosa
Fotografia de Vanessa Pelerigo
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
Da Condição Humana
Todos sofremos.
O mesmo ferro oculto
Nos rasga e nos estilhaça a carne exposta.
O mesmo sal nos queima os olhos vivos.
Em todos dorme
A humanidade que nos foi imposta.
Onde nos encontramos, divergimos.
É por sermos iguais que nos esquecemos
Que foi do mesmo sangue
Que foi do mesmo ventre que surgimos.
José Carlos Ary dos Santos
O mesmo ferro oculto
Nos rasga e nos estilhaça a carne exposta.
O mesmo sal nos queima os olhos vivos.
Em todos dorme
A humanidade que nos foi imposta.
Onde nos encontramos, divergimos.
É por sermos iguais que nos esquecemos
Que foi do mesmo sangue
Que foi do mesmo ventre que surgimos.
José Carlos Ary dos Santos
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
Foz Do Teu Olhar
Perdi-me no silêncio que se estendia
Na serra que cobre o Douro,
Quando a tarde se fez no Sol que se abria
E matizava o chão de ouro.
Perdias-te na saudade que se avizinhava
Ou na aventura que vivias
E, a cada palavra da canção que ocultava,
Simplesmente, sorrias...

E, no ledo passeio,
O beijo foi o ensejo que o tempo escondia...
E, no Molhe deserto,
Abracei-te quando o âmago dizia:
Escondo o Porto na voz,
Quando abraço o mar...
Eis o Mundo que desemboca na Foz do teu olhar.
Texto e Fotografias de: João Garcia Barreto
terça-feira, janeiro 08, 2008
Eufemismo da Memória
Os desusados idealistas partidários são, actualmente, condenados pelos seus próprios partidos, sendo obrigados a dissertar as suas opiniões políticas nos media. Os partidos já não possuem ideais e reflectem, hoje, a demagogia com mais vigor. O dinheiro é, indubitavelmente, o fruto mais apetecido pelos políticos que governam um país iníquo, cuja maioria dos seus habitantes pátrios se encontram entorpecidos e imersos num absentismo de ideais e de sonhos.
O Exmo. Sr. Primeiro-Ministro não é, definitivamente, o Robin dos Bosques e, segundo a comunicação social, não é, também, engenheiro.
A Exma. Sra. Ministra da Educação pretende que sejam os professores a limpar as salas de aulas e as instalações sanitárias das escolas públicas do ensino básico, promovendo o desemprego das tarefeiras.
Os tribunais hibernam. No entanto, continua, por parte dos magistrados, a pesquisa incessante de salas para armazenar mais um número significativo de processos sem julgamento, dado à escassez das mesmas, ignorando o pó sobre os dossiers dos esquecidos casos judiciais. Decerto que a Exma. Sra. Ministra da Educação apresentará a solução para este problema do Ministério da Justiça, podendo até solicitar aos professores a limpeza do pó sobre os referidos dossiers, já que os indivíduos visados terão funções acrescidas.
Contudo, isto é só o eufemismo da memória. Resta-me parafrasear a parábola cómica: " e o contribuinte paga isso?! E o burro sou eu?! E o ruim sou eu?!
Muda-se o Governo e... a sociedade é aquilo que se vê...
Sei que desdenho o que é inútil
E a sabedoria de um lacrau fútil,
Que esbanja demagogia
Nos dias de romaria...
Sei que desdenho o lugar,
Onde se perde tempo a escutar
As verborreias tão exíguas
Ditas por mentes não ambíguas...
Sei que desdenho o consumismo
Que corrobora o materialismo
E toda a instância do Poder
Que transfigura o ser...
Isto é só o materialismo da história,
O eufemismo da memória...
Ai, Portugal,
Por onde me levas...
João Garcia Barreto
O Exmo. Sr. Primeiro-Ministro não é, definitivamente, o Robin dos Bosques e, segundo a comunicação social, não é, também, engenheiro.
A Exma. Sra. Ministra da Educação pretende que sejam os professores a limpar as salas de aulas e as instalações sanitárias das escolas públicas do ensino básico, promovendo o desemprego das tarefeiras.
Os tribunais hibernam. No entanto, continua, por parte dos magistrados, a pesquisa incessante de salas para armazenar mais um número significativo de processos sem julgamento, dado à escassez das mesmas, ignorando o pó sobre os dossiers dos esquecidos casos judiciais. Decerto que a Exma. Sra. Ministra da Educação apresentará a solução para este problema do Ministério da Justiça, podendo até solicitar aos professores a limpeza do pó sobre os referidos dossiers, já que os indivíduos visados terão funções acrescidas.
Contudo, isto é só o eufemismo da memória. Resta-me parafrasear a parábola cómica: " e o contribuinte paga isso?! E o burro sou eu?! E o ruim sou eu?!
Muda-se o Governo e... a sociedade é aquilo que se vê...
Sei que desdenho o que é inútil
E a sabedoria de um lacrau fútil,
Que esbanja demagogia
Nos dias de romaria...
Sei que desdenho o lugar,
Onde se perde tempo a escutar
As verborreias tão exíguas
Ditas por mentes não ambíguas...
Sei que desdenho o consumismo
Que corrobora o materialismo
E toda a instância do Poder
Que transfigura o ser...
Isto é só o materialismo da história,
O eufemismo da memória...
Ai, Portugal,
Por onde me levas...
João Garcia Barreto
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