sexta-feira, agosto 15, 2008

Bridge Over Troubled Water

When you're weary, feeling small,
When tears are in your eyes,
I will dry them all
I'm on your side.
when times get rough
And friends just can't be found,
Like a bridge over troubled water
I will lay me down.
Like a bridge over troubled water
I will lay me down.

When you're down and out,
When you're on the street,
When evening falls so hard
I will comfort you.
I'll take your part.
When darkness comes
And pain is all around,
Like a bridge over troubled water
I will lay me down.
Like a bridge over troubled water
I will lay me down.

Sail on silvergirl,
Sail on by.
Your time has come to shine.
All your dreams are on their way.
See how they shine.
If you need a friend
I'm sailing right behind.
Like a bridge over troubled water
I will ease your mind.
Like a bridge over troubled water
I will ease your mind.

Paul Simon

Dedico esta canção, que simboliza a Amizade, a ti, Vasco

Ver vídeo aqui

domingo, julho 20, 2008

Âmago



De braços abertos, voas na cidade
A cada sombra que vês,
Onde devoras o perfume lascivo
Do vento do ensejo na tez.

Beijas-me nas palavras que dizes
Em cada lugar que passas
E a avenida desentedia-se na canção
Do tempo eterno que abraças.

E suspiro enquanto suspiras...
E respiro quando respiras...

E, na cidade cansada,
O âmago que balança,
Ao ver-te, sorri...
E o corpo que baila
No Mundo que dança
Por ter-te aqui...


Texto de João Garcia Barreto
Fotografia de Desconhecido

sábado, julho 12, 2008

A Mulher da Minha Vida


Viver é apenas sobreviver por etapas, sentenciara o padre Angústias num dos nossos últimos encontros. Ao longo da minha vida tenho sido surpreendido pela lembrança das suas frases concisas e pela imagem do seu rosto severo de padre, professor e vigário da minha paróquia, versado em filosofia e lugares-comuns. Apesar da sua presença na minha juventude, nunca fui um homem religioso, pelo menos no sentido dado pela Igreja, nem tenho particular interesse pelos seus dogmas nem pelas suas causas. Vi-o sempre como um mestre e não como um sacerdote. As suas palavras eram fonte de ensinamentos e descoberta de vida. O padre ocupava na minha vida o lugar de um pai ausente.

Não sei explicar porque me ocorreu tudo isto agora, enquanto me dirijo para a Repartição a assobiar o bolero Aquellos Ojos Verdes, que ouvi tocar num baile, em Cacilhas, abrilhantado por uma banda de cinco músicos de olhar fantasma e expressão boémia. Talvez se deva aos avanços e recuos da minha vida, procurando sobreviver como um náufrago que nada apenas com um braço. O mais provável é que me lembre do padre Angústias como de um pai austero, mas presente e amigo de conversar. Tenho na ideia que ele e a minha mãe se conheceram bem melhor do que me quiseram fazer acreditar. Eram da mesma aldeia e de idade próxima. Mas isso agora não vem ao caso.

Subi até à minha sala de trabalho, uma divisão espaçosa com janelas altas viradas para a rua principal, equipada com quatro secretárias e respectivas cadeiras, uma mesa de apoio e dois armários arquivadores, um relógio de parede e um mapa do país pendurado num dos lados da sala. Entrei e cumprimentei os elementos da brigada.

– Bons dias!

– Bons dias, chefe!

Fui até à mesa de apoio e enchi uma chávena de café de balão. Sentei-me à secretária e voltei a folha do calendário: segunda-feira, Março, 1930. Dentro de dias completaria trinta e cinco anos de idade. Uma boa altura para fazer um balanço da vida. Mas eu não era guarda-livros, daí que balanços não fossem comigo. Era polícia, o que exigia outro desembaraço físico e mental. Lembrei-me de Rosarinho, da vontade que tinha de reencontrá-la, embora há muito desconhecesse o seu paradeiro. Não era um caso de polícia, mas um caso de amor e um desejo pessoal. Um amor como aquele que tínhamos vivido não é coisa que se esqueça de um dia para o outro. Mesmo que o tempo e a distância o reduza na memória ao formato de um retrato, como aquele que guardo na carteira.

© António Garcia Barreto

sábado, julho 05, 2008

Horizonte em Mim




Tento ler o céu a cada segundo do tempo que te espero, percebendo que as palavras se encontram espraiadas no Universo. Penso-te no silêncio dos gestos que faço só para te ter sempre em mim. As horas passam, os minutos evanescem e abraço-te para sempre. Quando o dia oscula a noite, desejo-te, profundamente, no tempo que vivo e, preso a ti, percebo que tu és o horizonte em mim...

João Garcia Barreto

terça-feira, junho 10, 2008

Refúgio



A noite adormecia no crepúsculo da manhã
E tu dormias, Princesa, no aconchego do divã,
Onde ousavas viajar sobre o segredo que o mar
Armazenou em mim.
Descobrias que o que vias, era o cimo de uma hera,
Que floria a saudade em tons de Primavera
E eternizava os dias no asilo onde viverias
A sonhar sempre assim…
Entrizaste-te, enfim, do aconchego do divã
E revelaste o que observaste, roendo uma maçã…
Estendeste a tua mão, senti a pulsação,
És parte de mim…
Revelei-te que o horizonte é o fim ecuménico,
Que o lugar onde vives é só um espaço cénico
E o mito que guardamos, é aquilo que sonhamos
Num mundo assim…

Em ti pousei, em ti repousei…
Eis o refúgio que desvendei…
Sei voar, sei flutuar,
Sou um anjo vivo no teu olhar.

Ledamente, o dia surgiu na manhã já despida,
E tu estranhavas, Princesa, a madrugada vivida
No enleio que se eterniza no tempo que se imuniza,
Para sempre, aqui…
Soubeste perguntar onde guardava a magia,
Disse que não sabia sequer onde a escondia,
Pediste-me um beijo, realizei o desejo
Do ensejo sem fim…
Insurgiste-te, no adeus, com o teu jeito peculiar,
Disseste que um anjo sabe sempre regressar,
Osculaste a minha mão, sentiste a pulsação,
Sou parte de ti…
Disseste que esperavas com as mãos abertas
Prometi que regressava nas noites incertas,
Peguei na poesia e na mais bela melodia
E parti assim…

Texto e Fotografia de João Garcia Barreto

sábado, maio 17, 2008

Portugal, Portugal



Tiveste gente de muita coragem
E acreditaste na tua mensagem
Foste ganhando terreno
E foste perdendo a memória

Já tinhas meio mundo na mão
Quiseste impor a tua religião
E acabaste por perder a liberdade
A caminho da glória

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Tiveste muita carta para bater
Quem joga deve aprender a perder
Que a sorte nunca vem só
Quando bate à nossa porta

Esbanjaste muita vida nas apostas
E agora trazes o desgosto às costas
Não se pode estar direito
Quando se tem a espinha torta

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Fizeste cegos de quem olhos tinha
Quiseste pôr toda a gente na linha
Trocaste a alma e o coração
Pela ponta das tuas lanças

Difamaste quem verdades dizia
Confundiste amor com pornografia
E depois perdeste o gosto
De brincar com as tuas crianças

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Jorge Palma

"Finalmente", foi premiado.

domingo, maio 04, 2008

Beijo Escondido

Entoas, no silêncio, um poema sem cessar
E persigo as palavras que soltas na calçada.
Desvendo, em cada sílaba, um segredo por revelar
E um beijo que lateja na boca coutada.

Sim, eras tu que, sem saber, me beijavas
E entregavas, ao vento, o tempo que sonhavas.

Sussurras, no silêncio, uma sóbria semibreve
E persigo o compasso que serena a madrugada.
Desvendo, em cada passo, um abraço puro e breve
E um beijo velado na mão vedada.

Sim, eras tu que, sem saber, me beijavas
E entregavas, ao vento, o tempo que sonhavas.

João Garcia Barreto


A canção pode ser escutada aqui.

sexta-feira, abril 25, 2008

Viva a Liberdade

A primeira senha:

E Depois do Adeus

Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.

Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder

Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci
E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós

Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei...
E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós

José Niza

A segunda senha:

Grândola Vila Morena

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade
Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

Em cada esquina, um amigo
Em cada rosto, igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto, igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola, a tua vontade
Grândola, a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade

José Afonso


Outros poemas, outras canções de Abril:

Trova do Vento Que Passa

Pergunto ao vento que passa
Notícias do meu país
E o vento cala a desgraça
O vento nada me diz
O vento nada me diz


Pergunto aos rios
Que levam tanto sonho à flor das águas
E os rios não me sossegam
Levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
Ai, rios do meu país
Minha pátria à flor das águas
Para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
Pede notícias e diz
Ao trevo de quatro folhas
Que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
Por que vai de olhos no chão.
Silêncio, é tudo o que tem
Quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos direitos
E ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
Ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
Nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
Dos rios que vão pró mar
Como quem ama a viagem
Mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(Minha pátria à flor das águas)
Vi minha pátria florir
(Verdes folhas verdes mágoas).

Manuel Alegre

A Cantiga É Uma Arma

A cantiga é uma arma
E eu não sabia
Tudo depende da bala
E da pontaria
Tudo depende da raiva
E da alegria
A cantiga é uma arma
De pontaria.

Há quem cante por interesse
Há quem cante por cantar
E há quem faça profissão
De combater a cantar
E há quem cante de pantufas
Para não perder o lugar.

A cantiga é uma arma
E eu não sabia
Tudo depende da bala
E da pontaria
Tudo depende da raiva
E da alegria
A cantiga é uma arma
De pontaria.

O faduncho choradinho
De tavernas e salões
Semeia só desalento
Misticismo e ilusões
Canto mole em letra dura
Nunca fez revoluções

A cantiga é uma arma
Contra quem?
Contra a burguesia
Tudo depende da bala
E da pontaria
Tudo depende da raiva
E da alegria
A cantiga é uma arma
De pontaria

Se tu cantas a reboque
Não vale a pena cantar
Se vais à frente demais
Bem te podes engasgar
A cantiga só é arma
Quando a luta acompanhar.

A cantiga é uma arma
Contra quem?
Contra a burguesia
Tudo depende da bala
E da pontaria
Tudo depende da raiva
E da alegria
A cantiga é uma arma
De pontaria

Uma arma eficiente
Fabricada com cuidado
Deve ter um mecanismo
Bem perfeito e aliado
E o canto de uma arma
Deve ser bem fabricado

José Mário Branco


Viva a Liberdade...

Obrigado a todos aqueles que lutaram pela liberdade de expressão, de agir, de lutar e de sonhar...

Aos neófitos da minha tenra idade, deixo o seguinte alvitre: Atenção! Cuidado com o abuso da Liberdade. Não destruam o que a geração de Abril conquistou por nós...

sexta-feira, abril 18, 2008

No Voo de Um Anjo

Da janela do quarto,
A tua fobia suspirava...
Esperavas pelo anjo,
Que tardava.
E, dos jardins de Éden,
Irrompe num voo inaudito,
O anjo que aguardavas
No teu lugar interdito.

E, no silêncio do quarto,
Só o teu esgar não negou
A Eternidade de um beijo
De quem ao momento se entregou.
E, com o desvelo de um abraço
De um anjo eterno que voou,
Imunizaste no leito
O amor que, no quarto, deixou.

No voo de um anjo,
Onde flutuavas,
Desarvorou a dolência
Que tanto exorcizavas.
E, no parapeito do postigo,
Lá se despediu
O teu anjo perene
Que só o teu olhar viu.

João Garcia Barreto


A canção pode ser escutada aqui

sábado, abril 12, 2008

Canto Moço

Somos filhos da madrugada
Pelas praias do mar nós vamos
À procura de quem nos traga
Verde oliva de flor no ramo
Navegamos de vaga em vaga
Não soubemos de dor nem mágoa
Pelas praias do mar nós vamos
À procura da manhã clara

Lá do cimo duma montanha
Acendemos uma fogueira
Para não se apagar a chama
Que dá vida na noite inteira
Mensageira pomba chamada
Companheira da madrugada
Quando a noite vier que venha
Lá do cimo duma montanha

Onde o vento cortou amarras
Largaremos pela noite fora
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória já não espera
Fresca brisa, moira encantada
Vira a proa da minha barca

José Afonso