terça-feira, janeiro 13, 2009

A Última a Morrer



"A última a morrer é a esperança.
Por isso é que matá-la, cansa!"

Texto de Paulo Abrunhosa
Fotografia de João Garcia Barreto

sábado, janeiro 10, 2009

Cantiga de Amigo



Nem um poema nem um verso nem um canto
Tudo raso de ausência Tudo liso de espanto

E nem Camões Virgilio Shelley Dante
- O meu amigo está longe
E a distância é bastante.

Nem um som nem um grito nem um ai
Tudo calado Todos sem mãe nem pai
Ah! Não, Camões Virgilio Shelley Dante!
- O meu amigo está longe
E a tristeza é bastante.

Nada a não ser este silêncio tenso
Que faz do amor sozinho o amor imenso.
Calai Camões Virgilio Shelley Dante:
O meu amigo está longe
E a saudade é bastante!

Texto de José Carlos Ary dos Santos
Fotografia de Vanessa Pelerigo

Parabéns, Vanessa. Pela Amizade... Pela Música... Pela Poesia que nos une...

quarta-feira, janeiro 07, 2009

O Amor Não Se Empresta



Escrevo-te, de novo, na ausência dos dias
Onde pernoito devagar...
Doi-me a saudade de te querer em mim...
Revejo-te no que, no leito, não me dizias
E osculo-te sem cessar...
Perco-me na memória por te ansiar assim...

Bebo-te em tragos lentos na contradança
Que forjámos aqui...
Sinto a brisa do teu corpo no quarto deserto...
Espero-te na noite, onde a Lua balança...
Depuro-te no que vivi
E lembro-te na despedida no lugar incerto...

E o tempo que sentes,
Preso no silêncio das mãos prementes
É tudo aquilo que nos resta...
Tu sabes: “O Amor não se empresta...”

Texto de João Garcia Barreto

Fotografia de Vanessa Pelerigo

sábado, dezembro 27, 2008

Arte - O Sémen do Amor Mundano



A Arte é a palavra que respira no dicionário,
Que se esmera num livro de poesia.
É a sílaba pronunciada no silêncio plenário,
Que a natureza demonstra por magia.

É o gemido de um piano sonâmbulo,
Que persegue, na noite, o sonhador.
É uma sóbria aresta de um triângulo,
Que a trigonometria desvenda sem pudor.

A Arte é uma lágrima no oceano
Dissipada por um anjo enfadonho;
É o sémen do amor mundano
Plantado nas planícies do sonho.

A Arte é a palavra transfigurada numa rosa,
Que transcende os feitiços do anoitecer.
É a casta beleza da poesia narrada em prosa,
Que interpela o sonhador ao amanhecer.


Texto de João Garcia Barreto

Fotografia de Autor Desconhecido

Um poema escrito no ano 2004

terça-feira, dezembro 23, 2008

Legado pelo Inverno

Inverno não era mais do que um estrangeiro que estagiava em Lisboa durante três meses na era habitual e andava sempre ao ritmo do pêndulo de um relógio. Anunciou a sua chegada com o seu jeito genuíno, despedindo-se do Outono e assustando a velha cigarra. Parece que degustava o primeiro dia que passava no âmago lisbonino.
No dia seguinte, acordou tarde. Sentia-se um torpor indolente. Pegou na pequena alcofa que acarretou do Universo e abraçou o dia. Deambulou no Chiado que estremecia ao vê-lo passar e parou n’A Brasileira, onde cavaqueou com o poeta que se deleitava, como sempre, sentado à mesa da esplanada:
- Falta cumprir-se Portugal! – dizia incessantemente o poeta.
- Deves ter razão, caro amigo – respondia, desta forma, o Inverno.
O dia anoiteceu e o Inverno abandonou o poeta que insistia na mesma afirmação. Desceu pela Rua Garrett em direcção ao Rossio e passou as últimas horas na Avenida da Liberdade.
De madrugada, entrou sorrateiramente na maternidade, sibilando uma canção de embalar. Colocou minuciosamente a pequena alcofa numa cadeira junto à mesa de cabeceira do quarto que, fortuitamente, escolheu e pousou o rebento nos longos esteiros de uma mulher.

João Garcia Barreto

Aos meus pais pelo nascimento do primeiro filho...

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Pedaço de Papel



As palavras escasseiam neste pedaço de papel nu. O que fazer, quando existem inúmeras coisas por dizer? O que dizer, quando a saudade contorna a ternura da candura do teu olhar em mim? A alma revela-se, inefavelmente, na terna ausência, onde respiro o ar legado pela atmosfera, enquanto este pedaço de papel se transfigura num simples gesto. E os sonhos corroboram a filantropia que transborda de mim. O que fazer, quando há mil e uma coisas por esbanjar? O que dizer, quando a eternidade tatua o tempo na alma doce e calma? O âmago imuniza, indelevelmente, o beijo e o abraço do regaço de quatro noites demoradas, enquanto este pedaço de papel é tudo aquilo que possuo para te lembrar...

Texto e Fotografia de João Garcia Barreto

terça-feira, dezembro 02, 2008

Parte de Mim


@Avenida dos Aliados - Porto

Onde estiveres, eu estou
Onde tu fores, eu vou
Se tu quiseres
Assim,
Meu corpo é o teu mundo,
Um beijo um segundo,
És parte de mim.

Para onde olhares
Eu corro,
Se me faltares
Eu morro
Quando vieres,
Distante
Solto as amarras,
E tocam guitarras por ti como dantes.

Agarra-me esta noite,
Sente tempo que eu perdi,
Agarra-me esta noite,
Que amanhã não estou aqui,
Agarra-me esta noite,
Sente tempo que eu perdi,
Agarra-me esta noite,
Que amanhã não estou aqui.

Texto de Pedro Abrunhosa
Fotografia de João Garcia Barreto

domingo, novembro 23, 2008

Anseio-te Em Qualquer Lugar


@Serralves

Anseio o Infinito desenhado no corpo
Coberto por um tule irisado...
Anseio o desejo que se estende no horizonte
Pintado num beijo demorado...
Anseio o desvelo que se espelha no abraço
Legado numa dança no Mundo...
Anseio o ensejo que se insurge no tempo
Matizado num gesto fecundo...

Anseio-te em qualquer lugar,
Onde deixas tanto de ti...
Quero-te, em mim, na leda madrugada,
Onde sintas, depois, o tempo que vivi...

Texto de João Garcia Barreto
Fotografia de Vanessa Pelerigo

segunda-feira, novembro 17, 2008

Jardim de Volta



Mãe,
Está na hora de te mostrar o que aprendi.
Diz-me se eu sei…
Diz-me se sentes…
Sei que não mentes. Foi o que herdei.
Mãe, está na hora de eu tratar de ti…

Mãe,
Põe uma echarpe.
Vou mostrar-te onde eu cresci…
Dá-me o teu braço,
Confia em mim…
Ainda te lembras do meu jardim?
Mãe, está na hora de eu te levar a ti…

Mãe,
Está na hora de te dar a vida inteira.
Ouve esta história que me ensinaste,
Está na memória de quem amaste.
Mãe, hoje eu acendo a lareira…

João Monge

Fotografia de João Garcia Barreto

Parabéns, Minha Mãe

domingo, novembro 09, 2008

O Suspiro do Tempo



Peço-te uma noite só aqui,
Onde tudo o que vês é metade de mim...
Quero-te numa noite só assim,
Onde serei, sempre, parte de ti...

Beijas-me na doce loucura
Que as mãos ocultam por entre os dedos...
Benvinda, se quiseres partir na aventura
E na candura dos gestos ledos.

Eis a tua canção na terna ausência...
O suspiro do tempo na profunda inocência...

Texto de João Garcia Barreto
Fotografia de Vasco Barreto