terça-feira, novembro 02, 2010

Eufemismo da Memória

Sei que desdenho o que é inútil
E a sabedoria de um lacrau fútil
Que esbanja demagogia
Nos dias de romaria.
Sei que desdenho o lugar,
Onde se perde tempo a escutar
As verborreias tão exíguas
Ditas por mentes não ambíguas...

Sei que desdenho o consumismo,
Que corrobora o materialismo
E toda a instância do poder
Que transfigura o ser...

Isto é só o materialismo da história,
O eufemismo da memória...

Texto de João Garcia Barreto

Às vezes, é necessário, de uma forma simples, poética e directa, manifestar o desgosto de (sobre)viver num Estado iníquo e plutocrata... O que podemos, assim, legar às crianças de Hoje ou aos jovens e adultos de Amanhã?

Ao meu pai ("Vai Dar Tudo Ao Mesmo").
Por um país melhor...

quinta-feira, outubro 14, 2010

Silêncio Vadio

Poderão escutar, aqui, uma gravação para efeitos de registo na Sociedade Portuguesa de Autores do tema "Silêncio Vadio", cujo poema foi publicado no post de 13 de Abril de 2010.

Texto de João Garcia Barreto
Música de Ruben Alves

sábado, setembro 11, 2010

O Amor Não Se Empresta

Escrevo-te, de novo, na ausência dos dias,
Onde pernoito devagar.
Dói-me a saudade de querer-te em mim.
Revejo-te no que, no leito, não dizias
e beijo-te sem cessar,
perco-me na memória por ansiar-te assim.

Bebo-te em tragos lentos na contradança
Que forjámos aqui.
Sinto a brisa do teu corpo no quarto deserto.
Espero-te na noite, onde a Lua balança,
Depuro-te no que vivi
E lembro-te na despedida no lugar incerto.

E o tempo que sentes
Preso no silêncio das mãos prementes
É tudo aquilo que nos resta.
Tu sabes, o Amor não se empresta.

Texto de João Garcia Barreto

segunda-feira, agosto 09, 2010

Âmago Que Balança

De peito aberto, voas na cidade
a cada sombra que vês,
onde devoras o perfume lascivo
do ensejo na tez.

Beijas-me nas palavras que dizes
em cada lugar que passas
e a avenida desentedia-se na canção
do tempo que abraças.

E respiro, enquanto respiras.
E suspiro, quando suspiras.

E, na cidade cansada,
O âmago balança
e, ao ver-te, sorri.
E o corpo baila
no Mundo que dança
por ter-te aqui.

Texto de João Garcia Barreto

Muito Obrigado...

quarta-feira, julho 21, 2010

Não Desistas de Mim

Eis um artista repleto de histórias para contar, em formato de canção, na ténue sociedade que se perde no absentismo de ideais da actual conjuntura e na plutocracia que reina no consílio político, onde é preciso "Fazer o que, ainda, não foi feito". Com as "Viagens" que fez, o "Tempo" que viveu, o "Silêncio" que reproduziu, o "Momento" que compôs e o "Palco" que sonhou, espelhou a "Luz" do estro que possui. Hoje, cria uma ruptura e parte para "Longe", no intuito de encontrar, de novo, o "Capitão da Areia". "Longe" é, decerto, um álbum indispensável na sociedade portuguesa, o que se comprova no seguinte grito premente:

A porta fechou-se contigo,
Levaste, na noite, o meu chão,
E, agora, neste quarto vazio,
Não sei que outras sombras virão
E alguém, ao longe, me diz...

Há um perfume que ficou na escada,
E, na TV, o teu canal está aberto,
Desenhos de corpos na cama fechada,
São um mapa de um passado deserto.

Eu sei que houve um tempo
Em que tu e eu
Fomos dois pássaros loucos,
Voámos pelas ruas
Que fizemos céu,
Somos a pele um do outro.

Não desistas de mim,
Não te percas agora,
Não desistas de mim,
A noite ainda demora.

Ainda sei de cor o teu ventre
E o vestido rasgado de encanto,
A luz da manhã,
O teu corpo por dentro,
E a pele na pele de quem se quer tanto.

Não tenho mais segredos,
Escondi-me nos teus dedos,
Somos metades iguais.
Mas hoje,
Só hoje,
Leva-me para onde vais
Que eu quero é dizer-te:

"Não desistas de mim,
Não te percas agora,
Não desistas de mim,
A noite ainda demora".

Texto de Pedro Abrunhosa

Um abraço, Pedro...

domingo, junho 27, 2010

Rosa à Janela

Tenho um vasinho de rosas à janela
Que ela trouxe consigo
Quando as vejo tão formosas,
Lembro-me dela,
Lembro-me dela ao postigo.

Lembro-me dela ao postigo,
Tão mimosa
E, agora, põe-se à janela,
Os cabelos cor de trigo, não há rosa...
Não há rosa como ela.

Não há rosa como ela na cidade
Nem nos campos donde vim
Agora, põe-se à janela com vaidade,
À noite, à espera de mim.

Lembro-me dela ao postigo
E, agora, põe-se à janela
É só isto que vos digo:
Não há rosa como ela.

Texto de João Monge

Surgiu, no coreto do meu lar, um grupo de alentejanos que realizou um "Baile Popular", presenteando-me, assim, com a canção "muito portuguesa" que divulgo. Eis a mestria da dupla homónima, o músico João Gil e o Sr. Prof. João Monge... E, que o "Baile Popular" seja um sucesso...

"Vai um abraço", João...

sábado, junho 19, 2010

Palavras Nunca Antes Ditas

Tudo o que sobressai da utopia que advogo
Não é mais do que um substrato do tempo que vivi,
Como a lágrima vertida na atmosfera onde vogo,
Não é mais do que um piano pungente que tange por ti...
E as mãos que, na solidão, se intimidam,
Que se desertificam quando o tempo esvaece,
Não são mais do que as palavras nunca antes ditas
E veladas num âmago isolado que entorpece...

Por isso,
Vem...
Que a saudade não desvanece...
Vem...
Que o tempo permanece
E prende-me em ti...

Tudo o que se ocultava no silêncio temível
Não era mais do que a soturna certeza
Que teimava em calcular pela matemática falível
Nos teoremas esotéricos da imensurável natureza.
E se, novamente, me vires assim, imerso no pensamento,
Pensa que emergi do livro do cepticismo filosófico
Escrito pelas mãos da poesia na candura do tempo
E do exagero desenfreado de um amor platónico.

Por isso,
Vem...
Que a saudade não desvanece...
Vem...
Que o tempo permanece
E prende-me em ti...

Texto de João Garcia Barreto

domingo, abril 25, 2010

Caos No Deserto

Eis o eco da sociedade
No silêncio amargo que, infelizmente, sentes...
No país das ilusões,
Há quem saiba deturpar os sonhos prementes...
Eis a exígua verborreia
Da pura demagogia da política emproada
Que, no ciclo vicioso,
Zomba sempre na penúria de uma mão sem nada.

E a justiça embargada
Nas estantes do tribunal
E a violência anunciada
Na capa do jornal,
É, somente, a desilusão
Em Portugal...

Caos no deserto que vês tão perto...
Destrói o muro que fustiga o futuro.

Eis o crédito mal parado
No declínio da economia que o banqueiro contamina...
Na assembleia dos agiotas,
Jaz o vulgo na calçada e a escumalha pantomina...
Eis a crise da Educação
Na ignorância de uma nação que se corrói sem cessar...
Eis a vil plutocracia
Que matou a Utopia que a Liberdade soube legar...

E a justiça embargada
Nas estantes do tribunal
E a violência anunciada
Na capa do jornal,
É, somente, a desilusão
Em Portugal...

Caos no deserto que vês tão perto...
Destrói o muro que fustiga o futuro.

Texto de João Garcia Barreto

Dedicado aos meus pais e a quem acredita, ainda, nos ideais que o "25 de Abril" preconizou... Dedicado a Zeca Afonso, José Mário Branco, Sérgio Godinho, Fausto Bordalo Dias, Paulo de Carvalho, entre outros cantautores e poetas de Abril. Dedicados aos jovens de "pós-revolução" que pelejam por um país diferente...

terça-feira, abril 13, 2010

Silêncio Vadio

Perdes o pudor no beijo
Que cedes no semblante que miras
E deitas-te no bel regaço, onde bailas e suspiras.
Devaneias, livre, na luz cambiante
Que, na noite, aflora
E abraças o Mundo no instante que mora.

Despes o corpo no desejo
Que desatas na paixão que arvora
E agarras o ledo ensejo que, no quarto, se demora.
Estendes-te, nua, no chão da alma
Que, no leito, se aventura
E antevês o amor no tempo que perdura.

Danças, perdida, no silêncio vadio
E brindas ao destino no sorvo que bebes.
Entregas a vida ao corpo vazio
Que tange o céu no beijo que cedes
E sorris...

Deleitas-te, enfim, na paz
Que persiste no tempo que sentes
E voas na sombra que jaz na palma das mãos prementes.
Adormeces, depois, na cama que vacila
Na noite que esvanece
E deixas-te partir no sonho que amanhece.

Texto de João Garcia Barreto
Música de Ruben Alves

Um grande abraço, Ruben

A preparar a próxima...

Canção sem intérprete... Em breve, será publicada... Poderão consultar o trabalho do autor da música, aqui.

segunda-feira, março 08, 2010

Saiu Para a Rua

Saiu decidida para a rua
Com a carteira castanha
E o saia-casaco escuro
Tantos anos, tantas noites
Sem sequer uma loucura

Ele saiu sem dizer nada,
Talvez fosse ao teatro chino.
Vai regressar de madrugada
E acordá-la cheio de vinho

Tantos anos, tantas noites
Sem nunca sentir a paixão.
Foram já as bodas de prata
Comemoradas em solidão

Pôs um pouco de baton
E um leve toque de pintura.
Tirou do cabelo o travessão
E devolveu, ao rosto, a candura

Saiu para a rua insegura,
Vagueou sem direcção.
Sorriu a um homem com tremura
E sentiu escorrer do coração
A humidade quente da loucura


Texto de Carlos Tê

A todas mulheres...