domingo, fevereiro 04, 2007

Menina De Olhar O Mar

Menina de Olhar o Mar,
Que escutas no zéfiro da maresia,
As plácidas palavras que te conduzem
Ao culminar da porfia,
Entrega-te ao vento
Como um veleiro no alto mar,
Que desliza em perpétuo movimento
Até um dia se ancorar.

Menina de Olhar o Mar,
Desfruta o viço da maresia
E voa com asas implumes
Para os confins da Fantasia.

João Garcia Barreto

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Advogo

Advogo a filantropia,
Não ignoro a caducidade.
Observo o Mundo de noite e de dia
E vejo sempre a claridade.

Não advogo a retórica,
Nada é objecto de persuação.
A política é alérgica à filosofia,
É uma plutocracia sem razão,
Uma demagogia que pantomina
Numa sociedade sem propensão…

Advogo o teu ser,
A tua luz que me ilumina,
A tua arte escondida
Numa quimera genuína…

Advogo o que existe
Na tua mente que incita
O amor que se esconde
Na tua alma inaudita.

Advogo a candura do vento,
Que bafeja o que não é banal,
Nasce nos confins da Utopia,
Suaviza a cegueira infernal
E traça a linha longa do horizonte
Na plenitude do pantanal.

João Garcia Barreto

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Ledo Hiato

De tez macia e lasciva,
Sorris à noite, no quarto, onde matizas a Primavera.
Disseminas, no soalho, as flores que amas
E escreves o adágio na atmosfera.
Semeias o viço das açucenas
E das puras acácias no Universo.
Prendes-me num beijo de uma semibreve
E estendo-me num esteiro de um verso.

E deixas-te ficar no ledo hiato,
Onde bailam anjos num silêncio lauto...

De tule pardo e liso,
Vagueias à noite, no quarto, onde o tempo permanece.
Contornas levemente a sombra que vês
E desenhas a Lua que evanesce.
Semeias o viço dos miósotis
E das puras azáleas na Utopia.
Enleias-me no regaço de um leito de seda
E perduro nos braços da Poesia.

E deixas-te ficar no ledo hiato
Onde bailam anjos num silêncio lauto...

Cedo-te a sidra no remanso dourado,
Cedes-me o suco de essência melada,
Brindamos ao Infinito num só trago...
Bebemos a seiva eternizada
Que produzes no quarto contemplado,
Onde deambulamos de mão dada.

E deixas-te ficar no ledo hiato,
Onde bailam anjos num silêncio lauto...
E deixas-te ficar aqui...

João Garcia Barreto

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Arauto de Éden

De tanto sobrevoar,
Indaguei uma lacuna no Mundo,
Em cada espaço, uma candeia acesa...
Em cada toada, um grito profundo...
Encontrei um postigo aberto
E pousei no seu parapeito,
Soltei um sopro nevado,
Logo, surgiu o teu esgar desfeito.
Porque planges na madrugada?
Porque deturpas a alvorada ?

Sou um arauto de Éden
Que, no teu quarto, veio repousar.
E desvendo o teu horizonte
No esplendor do teu olhar.
Escuta a doce melopeia,
Que sibila dentro de ti,
Torna perene o momento
E a missiva que deixo aqui.

João Garcia Barreto

sábado, dezembro 23, 2006

Pêndulo II

O pêndulo não cessa e, por conseguinte, o relógio continua o seu movimento habitual. Lá fora, o Sol pousa na varanda e espreita por trás da cortina. Bate na vidraça, no intuito de se penetrar entre quatro paredes caiadas, onde um piano zomba sobre o seu esplendor. Lá vem ele para mais uma das suas visitas de médico...
Abro a janela e deixo-o entrar no quarto, onde dança ternamente. Depois, despede-se e regressa ao espaço, onde se eterniza.
E eu estou aqui, onde o relógio marca mais um ano de vida. O pêndulo não pára, enquanto existir vontade de ficar no Mundo como “a gente vai continuar, enquanto houver estrada para andar” e o tempo evanesce na ilusão de quem não deseja perecer.

domingo, dezembro 10, 2006

Valsa De Um Homem Carente

Se alguma vez te parecer
Ouvir coisas sem sentido
Não ligues, sou eu a dizer
Que quero ficar contigo
E, apenas, obedeço
Com as artes que conheço
Ao princípio activo
Que rege desde o começo
E mantém o mundo vivo

Se alguma vez me vires fazer
Figuras teatrais
Dignas de um palhaço pobre
Sou eu a dançar a mais nobre
Das danças nupciais
Vê minhas plumas cardeais
Em todo o seu esplendor
Sou eu, sou eu, nem mais
A suplicar o teu amor.

É a dança mais pungente
Mão atrás e outra à frente
Valsa de um homem carente,
Mão atrás e outra à frente
Valsa de um homem carente

Carlos Tê

sábado, dezembro 02, 2006

O Amor Urge No Desconcerto Do Mundo



Percorro a solidão das ruas, onde invento os teus passos e a fragrância das tuas mãos. Anseio-te desenfreadamente como um louco que só repete as palavras que usas e, mimeticamente, gesticula os gestos que permanecem na miragem que vê e toca.
A noite adormece devagar ao som reproduzido pela leda madrugada, enquanto o meu corpo se arrasta na sua indolência. São horas de regressar ao quarto vazio, onde te escrevo, na ausência dos dias. Não imaginas os poemas e as pautas inúteis que atapetam o chão...

Por isso, vem... Não tenho mais nada para te dizer. Só tenho um simples âmago para te legar...
Vem... Desemboca em mim e adormece-me no leito que espera por ti...

Meu Amor, o Amor urge no desconcerto do Mundo...


Fotografia de Vanessa PelerigoPosted by Picasa

segunda-feira, novembro 20, 2006

O Amor Não Se Empresta



Escrevo-te, de novo, na ausência dos dias
Onde pernoito devagar...
Doi-me a saudade de te querer em mim...
Revejo-te no que, no leito, não me dizias
E osculo-te sem cessar...
Perco-me na memória por te ansiar assim...

Bebo-te em tragos lentos na contradança
Que forjámos aqui...
Sinto a brisa do teu corpo no quarto deserto...
Espero-te na noite, onde a Lua balança...
Depuro-te no que vivi
E lembro-te na despedida no lugar incerto...

E o tempo que sentes,
Preso no silêncio das mãos prementes
É tudo aquilo que nos resta...
Tu sabes: “O Amor não se empresta...”

João Garcia Barreto

Poema registado na Sociedade Portuguesa de Autores

Fotografia de Vanessa Pelerigo
Posted by Picasa

quinta-feira, novembro 09, 2006

No Voo De Um Anjo



Da janela do quarto,
A tua fobia suspirava...
Esperavas pelo anjo,
Que tardava.
E dos jardins de Éden,
Irrompe num voo inaudito,
O anjo que aguardavas
No teu lugar interdito.

E no silêncio do quarto,
Só o teu esgar não negou
A Eternidade de um beijo
De quem ao momento se entregou.
E com o desvelo de um abraço
De um anjo eterno que voou,
Imunizaste no leito
O amor que, no quarto, deixou.

No voo de um anjo,
Onde flutuavas,
Desarvorou a dolência
Que tanto exorcizavas.
E no parapeito do postigo,
Lá se despediu
O teu anjo perene
Que só o teu olhar viu.

João Garcia Barreto

Desta vez, já podem escutar a melodia e a harmonia da canção com um arranjo simples de piano no site:

www.myspace.com/joaogarciabarreto

 Posted by Picasa

quarta-feira, novembro 01, 2006

Waiting In Vain

"Um mão estendida
De um vagabundo à espera
De um beijo ao adormecer
De uma dama da Primavera..."

"É urgente o amor...
É urgente um barco no mar..."

Até quando a ostentação da Política irá prevalecer sobre os direitos da Humanidade?
Até quando o petróleo será a única condição de sobrevivência do Mundo?
Até quando a moeda irá sustentar os maus vícios da plutocracia?
E, assim, o Mundo espera em vão por um simples gesto...

Até quando?

www.pobrezazero.org

Waiting in Vain

From the very first time
I rest my eyes on you, girl,
My heart says follow through.
But I know, now, that I'm way down on your line,
But the waitin' feel is fine:
So don't treat me like a puppet on a string,
'Cause I know I have to do my thing.
Don't talk to me as if you think I'm dumb
I wanna know when you're gonna come - soon.

I don't wanna wait in vain for your love...

'Cause if summer is here,
I'm still waiting there.
Winter is here,
And I'm still waiting there...

Like I said:
It's been three years since I'm knockin' on your door,
And I still can knock some more.
Ooh girl, ooh girl, is it feasible?
I wanna know now, for I to knock some more.
Ya see, in life I know there's lots of grief,
But your love is my relief.
Tears in my eyes burn
While I'm waiting for my turn,

See!
I don't wanna wait in vain for your love...

Bob Marley