Lembras-me uma marcha de Lisboa
Num desfile singular,
Quem foi,
Quem disse
Que há horas e momentos para se amar
Lembras-me uma enchente de maré
Com uma calma matinal
Quem foi
Quem disse que o mar dos olhos também sabe a sal
As memórias são como livros escondidos no pó...
As lembranças são os sorrisos que queremos rever, devagar
Queria viver tudo numa noite
Sem perder a procurar
O tempo, ou o espaço
Que é indiferente para poder sonhar
Quem foi que provocou vontades
E atiçou as tempestades
E amarrou o barco ao cais
Quem foi, que matou o desejo
E arrancou o lábio ao beijo
E amainou os vendavais...
Luís Represas
sábado, setembro 30, 2006
domingo, setembro 17, 2006
Paixão - Um Momento Que Amanhece
Dois olhares que se cruzam;
Dois sorrisos que despertam;
Dois corações que se intimidam;
Duas almas que se apertam;
Duas bocas no silêncio ancoradas;
Duas almas que vacilam sem razão;
Duas metades de Lua emaranhadas;
Dois anjos cintilantes na escuridão;
Duas mãos totalmente vazias;
Duas almas cobertas por um véu;
Duas vozes que cantam todos os dias;
Dois pombos paradisíacos, donos do Céu;
Dois corações que sibilam no escuro;
Duas almas vivas na pobreza do Mundo;
Dois corações que anseiam o mesmo futuro;
Duas almas que se saciam num beijo profundo;
Um momento que amanhece
Numa palavra por dizer...
Um regaço que nos aquece
Um coração a tremer...
Uma mão estendida
De um vagabundo à espera
De um beijo ao adormecer
De uma dama da Primavera...
João Garcia Barreto
Dois sorrisos que despertam;
Dois corações que se intimidam;
Duas almas que se apertam;
Duas bocas no silêncio ancoradas;
Duas almas que vacilam sem razão;
Duas metades de Lua emaranhadas;
Dois anjos cintilantes na escuridão;
Duas mãos totalmente vazias;
Duas almas cobertas por um véu;
Duas vozes que cantam todos os dias;
Dois pombos paradisíacos, donos do Céu;
Dois corações que sibilam no escuro;
Duas almas vivas na pobreza do Mundo;
Dois corações que anseiam o mesmo futuro;
Duas almas que se saciam num beijo profundo;
Um momento que amanhece
Numa palavra por dizer...
Um regaço que nos aquece
Um coração a tremer...
Uma mão estendida
De um vagabundo à espera
De um beijo ao adormecer
De uma dama da Primavera...
João Garcia Barreto
sexta-feira, setembro 08, 2006
Anseio-te Em Qualquer Lugar

Anseio o Infinito desenhado no teu corpo
Coberto por um tule irisado...
Anseio o desejo que se estende no horizonte
Pintado num beijo demorado...
Anseio o desvelo que se espelha no abraço
Legado numa dança no Mundo...
Anseio o ensejo que se insurge no tempo
Matizado num gesto fecundo...
Anseio-te em qualquer lugar,
Onde deixas tanto de ti...
Quero-te em mim na leda madrugada,
Onde sintas, depois, o tempo que vivi...
João Garcia Barreto
Foto cedida por Vanessa Pelerigo
quarta-feira, agosto 30, 2006
Eis O "Refúgio" Que Desvendei...
Um refúgio não é só um oráculo, onde se pode consultar os anjos… Pode ser um momento, onde figuras melódicas espraiadas em compassos simples ou compostos se coadunam com expressões poéticas oriundas de grifos endógenos ou um livro, onde bailam heróis digladiadores e perecem monstros abomináveis. Talvez seja um lugar, onde se realizam ledas tertúlias ou um pedaço de papel, onde se liberta um poema, uma sóbria lacuna no Mundo ou um espaço real, onde a areia e o mar se enamoram.
A esfinge do “Refúgio” laconiza-se na coesão entre o Realismo e o Surrealismo, na qual a quimera é um ensombro de quem sobrevive numa realidade soturna. Em suma, “Refúgio” é todo o momento indelével com formato de canção que pretendo exalar de mim…
quarta-feira, agosto 23, 2006
A Tua Canção...
Peço-te uma noite só, aqui,
Onde tudo o que vês é metade de mim...
Quero-te numa noite só, assim,
Onde serei sempre parte de ti...
Beijas-me na doce loucura
Que as mãos ocultam por entre os dedos,
Benvinda, se quiseres partir na aventura
E na candura dos gestos ledos...
Eis, a tua canção na terna ausência,
O suspiro do tempo na profunda inocência...
João Garcia Barreto
Onde tudo o que vês é metade de mim...
Quero-te numa noite só, assim,
Onde serei sempre parte de ti...
Beijas-me na doce loucura
Que as mãos ocultam por entre os dedos,
Benvinda, se quiseres partir na aventura
E na candura dos gestos ledos...
Eis, a tua canção na terna ausência,
O suspiro do tempo na profunda inocência...
João Garcia Barreto
quarta-feira, agosto 09, 2006
Doce Ensejo
Insurge-se o ensejo, no silêncio do tempo
E a mão aberta que se quer fechar,
Enquanto dançamos na avenida
Antes da manhã regressar...
Desvendo o desejo que se oculta em ti
Na solidão das palavras que recitas
E prendo-me nas teias dos sorrisos
Que, na avenida, dissipas.
E a noite evanesce...
E o tempo permanece em mim...
E se a Lua adormecer,
Sei que me beijas ao amanhecer...
E se o Sol despertar,
Sei que a mão se vai fechar...
Sibila na avenida o doce desejo,
Que se oculta no sopro do vento
E persigo as palavras que soltas
No ledo balanço do momento.
João Garcia Barreto
E a mão aberta que se quer fechar,
Enquanto dançamos na avenida
Antes da manhã regressar...
Desvendo o desejo que se oculta em ti
Na solidão das palavras que recitas
E prendo-me nas teias dos sorrisos
Que, na avenida, dissipas.
E a noite evanesce...
E o tempo permanece em mim...
E se a Lua adormecer,
Sei que me beijas ao amanhecer...
E se o Sol despertar,
Sei que a mão se vai fechar...
Sibila na avenida o doce desejo,
Que se oculta no sopro do vento
E persigo as palavras que soltas
No ledo balanço do momento.
João Garcia Barreto
sábado, agosto 05, 2006
Deixar-te como se amar-te ou querer-te fosse somente liberdade
Mata-me com um só beijo
E afaga o meu corpo até à exaustão
Da pele e do teu toque sobre mim...
Queima as palavras e os espaços
Em branco e cala o passado
Nesse gesto ou noutro qualquer
Não importa sequer
O que de mim faças
Se nos teus dedos
Há, ainda, tanto amor
E desejo por acontecer.
Fala-me do que sentes
Quando não estou;
Dessa dor que te rasga por dentro,
Dos quilómetros de estrada sem regresso,
Das tantas madrugadas,
Onde o verso é, apenas, o que sou.
Diz que és meu
Mesmo que não sejas de ninguém
- Todo meu -
Mente-me só mais um pouco
Os olhos
Os braços
O traço
O peito
A pele
O regaço
O leito
As pernas
Os lábios
Tudo o mais
- Todo tão meu -
Ter que partir,
Sem saber,
Se algum dia
É o retorno.
Esperar vagamente nas calhas da verdade
Como quem nunca chega
Desse lugar tão longe
Que é a saudade.
Vanessa Pelerigo
Um beijo, Vanessa
E afaga o meu corpo até à exaustão
Da pele e do teu toque sobre mim...
Queima as palavras e os espaços
Em branco e cala o passado
Nesse gesto ou noutro qualquer
Não importa sequer
O que de mim faças
Se nos teus dedos
Há, ainda, tanto amor
E desejo por acontecer.
Fala-me do que sentes
Quando não estou;
Dessa dor que te rasga por dentro,
Dos quilómetros de estrada sem regresso,
Das tantas madrugadas,
Onde o verso é, apenas, o que sou.
Diz que és meu
Mesmo que não sejas de ninguém
- Todo meu -
Mente-me só mais um pouco
Os olhos
Os braços
O traço
O peito
A pele
O regaço
O leito
As pernas
Os lábios
Tudo o mais
- Todo tão meu -
Ter que partir,
Sem saber,
Se algum dia
É o retorno.
Esperar vagamente nas calhas da verdade
Como quem nunca chega
Desse lugar tão longe
Que é a saudade.
Vanessa Pelerigo
Um beijo, Vanessa
sexta-feira, agosto 04, 2006
Vida - Arte Perene
A Vida é a arte que se espelha
No nosso planeta em movimento;
É a voz que se esmera
Nas teias de um amor sedento.
A Vida é o apelo escrito no mural
Pelo povo oculto na ausência de expressão;
É o manifesto do vulgo que craveja
Nas ruas em que se desenrola a revolução.
A Vida é a resistência de quem padece
Debaixo da intempérie da guerra,
De quem se imuniza no sonho indelével
Mesmo quando o dia encerra.
João Garcia Barreto
No nosso planeta em movimento;
É a voz que se esmera
Nas teias de um amor sedento.
A Vida é o apelo escrito no mural
Pelo povo oculto na ausência de expressão;
É o manifesto do vulgo que craveja
Nas ruas em que se desenrola a revolução.
A Vida é a resistência de quem padece
Debaixo da intempérie da guerra,
De quem se imuniza no sonho indelével
Mesmo quando o dia encerra.
João Garcia Barreto
segunda-feira, julho 31, 2006
Tatuagens

Em cada gesto perdido
tu és igual a mim
em cada ferida que sara
escondida do mundo
eu sou igual a ti
fazes pinturas de guerra
que eu não sei apagar
pintas o sol da cor da terra
e a lua da cor do mar
em cada grito de alma
eu sou igual a ti
de cada vez que um olhar
te alucina e te prende
tu és igual a mim
fazes pinturas de sonhos
pintas o sol na minha mão
e és mistura de vento e lama
entre os luares perdidos no chão
em cada noite sem rumo
tu és igual a mim
de cada vez que procuro
preciso um abrigo
eu sou igual a ti
faço pinturas de guerra
que eu não sei apagar
e pinto a lua da cor da terra
e o sol da cor do mar
em cada grito afundado
eu sou igual a ti
de cada vez que a tremura
desata o desejo
tu és igual a mim
faço pinturas de sonhos
e pinto a lua na tua mão
misturo o vento e a lama
piso os luares perdidos no chão
Mafalda Veiga
in "Tatuagem"
Foto cedida por Vanessa Pelerigo
quarta-feira, julho 26, 2006
Beijo Da Eternidade
Tudo o que vejo não é miragem,
Tudo o que desvendo na minha alma
Perdura na essência da imagem
Do Mar que nos acalma.
Tudo o que sinto na realidade,
O que armazeno na arca sincera ,
Transfigura a doce saudade
Numa rosa da Primavera.
Tudo o que em mim flameja,
Tudo o que em mim é fecundo,
É a Música que me beija
Numa lacuna do Mundo
Tudo o que perdura nas páginas da verdade,
Tudo o que existe e não tem fim,
Fortalece a doce saudade,
Beijo da Eternidade em mim.
E tudo o que vês não é submerso...
A imagem que observas é o regresso...
De novo, perto de mim,
Observas o Horizonte,
Se eu a ti retornei
Foi da água que bebi na fonte.
Estava escrito nas lajes
Da fonte em que bebi,
O segredo que desvendei
Para repousar hoje, aqui.
João Garcia Barreto
Tudo o que desvendo na minha alma
Perdura na essência da imagem
Do Mar que nos acalma.
Tudo o que sinto na realidade,
O que armazeno na arca sincera ,
Transfigura a doce saudade
Numa rosa da Primavera.
Tudo o que em mim flameja,
Tudo o que em mim é fecundo,
É a Música que me beija
Numa lacuna do Mundo
Tudo o que perdura nas páginas da verdade,
Tudo o que existe e não tem fim,
Fortalece a doce saudade,
Beijo da Eternidade em mim.
E tudo o que vês não é submerso...
A imagem que observas é o regresso...
De novo, perto de mim,
Observas o Horizonte,
Se eu a ti retornei
Foi da água que bebi na fonte.
Estava escrito nas lajes
Da fonte em que bebi,
O segredo que desvendei
Para repousar hoje, aqui.
João Garcia Barreto
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